Um calmante. JÁ!

A ameaça já andava a pairar. 

Um à vontade no domínio do lápis de cera fazia antever uma manifestaçao das habilidades adquiridas com alguma brevidade. 

E hoje quando vi a parede neste estado ia tendo um colapso. 

Ninguém a viu a fazer esta pintura rupestre e quando a chamei e ralhei com ela, doeu-me mais a mim que a ela que estava absolutamente indiferente.

Deu meia volta e apareceu segundos depois, com o lápis na mão, a explicar como tinha feito os sarrabiscos.

E é nestas alturas que estas pessoinhas de 90cm de altura mostram a capacidade de ignorar e de fazer de conta que não é com eles com uma pinta do caraças, de tal forma que até nos questionamos por milésimos de segundos se nós é que estamos bem. 

O pai lá pegou numa borracha e pôs-se a apagar e lá lhe explicamos que não podia fazer aquilo.

Guardei os lápis de cera e voltamos aos nossos afazeres.

Mas ela tinha um lápis escondido. E voltou a riscar a parede.

Interceptada por nós, prontamente justificou-se. “Desenho Néné!” ( a M.I. trata-se a ela própria como Néné. Não me perguntem porquê que não sei) e lá tentou explicar aquele gatafunho. Senti-a quase como uma Paula Rego em miniatura, com a diferença que estas pinturas são mais compreensíveis e bonitas.

E depois fez aquele sorriso. AQUELE, mães e pais deste país! Mesmo assim fui firme (tentei) e tirei-lhe o lápis sobrevivente. A M.I. fez o beicinho previsível, deu meia volta e foi para o meu quarto, calçar os meus saltos altos. Só para me irritar. 

Aproveito para agradecer a solidariedade demonstrada por dezenas de pessoas no meu facebook. Entre sugestões para comprar latas de tinta, passando por interpretações do desenho, ainda aprendi dicas para limpar estes vestígios. Solidariedade parental é o que é. Cheira-me é que isto é só o princípio….

Até já, 

vossa, 

J! 

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